7.4.16

Gratidão

Não há palavra que se encaixe melhor para mim nesse sentimento de amamentar: Gratidão. O verbete gratidão vem do latim "gratia" que significa literalmente graça, ou "gratus" que se traduz como agradável. Ou seja, é o reconhecimento agradável por tudo que se recebe ou lhe é reconhecido. Para mim é realmente uma graça alcançada estar tendo esse privilégio da amamentação. Antônio está há 3 dias de completar seus 8 meses e até agora mama bastante! :) E, os seus primeiros 6 meses de vida foi exclusivamente se alimentando do meu leite. Como posso não sentir extrema gratidão?!

Desde antes de engravidar, quando planejávamos ter filho, essa era uma das minhas maiores preocupações. Eu queria muito amamentar meu filho, mas confesso que tinha um pouco de receio e medo que não desse certo. Seria muito frustante para mim, pois eu entendia que isso era muito importante para mim. Ter filho velha (kkk tive o Antônio com 35 anos) faz você ter a oportunidade de vivenciar as maternidades de suas amigas próximas. Acompanhei, umas de mais perto outras de mais longe, as dificuldade da amamentação. Ter dificuldades ao amamentar é o comum, não ter dificuldades é uma dádiva mesmo. Absorvi algumas experiências que começaram ruim e terminaram ruim, outras que começaram ruim e terminaram bem, outras que admiro muito pela insistência em funcionar, outras que admiro pela força de reconhecer que não davam mais conta. Amamentar é uma experiência única e muito sensível. Mais uma vez, só cada mãe sabe a dor e a delícia de amamentar.

Foto "MARAVILINDA" da minha cunhada Mariana Leal Fotografia

Eu, talvez pela maturidade, por me preparar muito, por ter amigas que tiveram filhos antes de mim e me ensinaram com suas experiências, por ter tido uma doula pós-parto maravilhosa e por ter tido muito apoio do meu marido e mãe, talvez por tudo isso, eu não tive problemas na amamentação. O Antônio nasceu e 40 minutos depois estava ele lá com a pega perfeita em meio peito, boca de peixinho, sugando o colostro. Eu até brinquei falando que ele também prestou muita atenção nas palestras que eu e meu marido fomos sobre cuidados com recém-nascido, rs... Como a pega dele era ótima, não tive rachaduras no bico, apenas uma leve sensibilidade, aquela de carne nunca usada, sabe? Hehehe Quando meu leite desceu, a minha doula pós-parto Bárbara Moreira, do Olhar Pós-parto (quem indico muito) veio nos fazer uma visita e me deu todo amor, carinho e informação que precisava sobre a amamentação. Além de me passar, na prática, um ensinamento muito valioso, a ordenha. Sabia na teoria, mas ter leite para ordenhar e fazer de fato, é outra coisa. A ordenha me salvou nesses primeiros 15 dias que o Tom não mamava tudo e eu precisava aliviar meus seios.

Com quase 1 mês de amamentação, acho que eu dei uma relaxada, e diminui a ordenha (afinal, quem já ordenhou sabe o quanto é chato!) e acabei tendo uma mastite leve. Digo que foi mastite, pois tive febre alta direto mais de 3 dias, meus seios estavam bem cheios e levemente avermelhados (leite empedrado). Mas não senti nenhuma dor ou problema ao amamentar. Fui ao Banco de Leite HMIB (Hospital Materno Infantil de Brasília) e fui muito bem atendida e medicada lá, o que logo fez passar a febre e não tive mais nada. Voltei a ter mais cuidado com a ordenha e aprendi algo que ajuda muito quando se está com preguiça de ordenhar (principalmente nas madrugadas). Sabe aquele massageador de costas que vibra, mas sem luz infra-vermelha?! Pode usar no seio, equivale a massagem para não empedrar o leite. Para quem não sabe a mastite é gerada por leite empedrado que acaba inflamando e essa inflamação pode gerar uma infecção bacteriana, por isso que tem que tomar antibiótico. Essa foi minha única "pedra (literamente) no caminho" da amamentação, no mais, o trabalho normal que é amamentar.

Voltando um pouco sobre eu querer amamentar muuuuito e ter passado por isso exclusivamente nos primeiros 6 meses do Tom me faz, sei lá, chegar mais perto de Deus. Só tamanha perfeição conseguiria projetar isso gente! Parem para pensar: um ser humano, a mãe, eu, capaz de produzir um leite (que nunca produziu em seus 35 anos), que tem tudo o que o seu filho precisa (seja nutrientes e ainda anticorpos) durante meio ano de sua vida. Você tem que concordar que tem algo muito mágico nisso, vai?! :)

Apesar de querer amamentar muito, minha "querência" tinha muito a ver por saber que o meu leite era o melhor para meu filho. Digo isso porque existe muita coisa dita sobre a amamentação que não me reconheço, como por exemplo:"Ai que delícia que é amamentar!" Eu gosto, mas uma delícia?! Acho que não. "Amamentar é a coisa mais linda em ser mãe!" Não mesmo, amo muito mais ver meu filho sorrir, comer direitinho, fazer coco, aprender as coisinhas do dia-a-dia como sentar, "hi-5", gargalhar, virar etc... "É uma sensação maravilhosa amamentar!" Acho legal, mas maravilhosa?! Não. Eu não escuto musiquinha e nem sinto cheiro de jasmim quando amamento. Aliás, no início é o contrário mesmo: escuto choro para mamar, depois arroto e geralmente ficava azeda com os golfos. Kkkkk Não, não acho que é lindo maravilhoso amamentar e nem acho que não queria amamentar. Opto pelo caminho do meio, e sou muito grata por ter leite e amamentar até hoje o meu filho, mesmo sem escutar musiquinha, rs...

Ser mãe e passar já por essas experiências até esses 8 meses agora me fez perceber que mais importante que qualquer coisa que digam/indicam/ensinem uma mãe a fazer, para mim, na verdade, é a mãe estar tranquila. É mais importante que amamentar? Sim! É mais importante que parto normal? Sim! Para mim, é mais importante. E sabe porquê? Porque uma mãe tranquila, naturalmente e instintivamente, se torna a melhor mãe para aquele bebê. Mas, uma mãe não tranquila, que faz as coisas não porque sente que quer e é importante, mas porque os outros falam, essas mães acabam passando também todo esse peso de sentimentos difíceis para seu bebê. Os bebês são muito sensíveis. E acaba que, algo que poderia fluir naturalmente não acontece por tensão e preocupação. Falta de tranqüilidade. Quando hoje me perguntam qual o meu conselho para uma boa amamentação eu diria em duas palavras: informação e tranqüilidade. E, se eu só pudesse dizer uma, eu diria: tranqüilidade.

Uma amiga uma vez me disse que na gravidez da sua primeira filha ela estava se sentindo super empoderada. Ela comprou vários livros, leu todos, fez tabelas, cronogramas, assistiu palestras, super se informou e estava "preparada" para ter sua filha. Chegou o dia, ela teve e no primeiro dia começaram várias dificuldades junto. Ela não se abateu, lembrou de todas as informações que tinha, voltou aos livros, usou todas as técnicas que havia aprendido, técnicas opostas, inclusive. Mas, com o tempo, ela chegou ao seu limite. Nada dava certo. Até que depois de choros, colos e aceitamentos, ela conseguiu respirar fundo e ouvir os seus instintos e as coisas começaram a dar certo! :) Chego arrepio ao escrever esse depoimento, meus olhos até enchem de lágrimas, porque é isso. O que um bebê mais quer é sua mamãe tranquila.

Também queria dizer que não amamentar um bebê não é o fim do mundo e que mãe nenhuma deve se sentir culpada disso. Seja porque você não tinha leite, seja porque você tentou e não conseguiu, seja porque você chegou ao seu limite, e seja até porque você nem quis tentar (hoje entendo e respeito isso), não importa. O que importa, na minha opinião, é ser uma mãe tranquila.

Meu TomTom felizão depois de uma mamada! Foto de Mariana Leal Fotografia.

Eu? Continuo sendo grata ao meu leite. Agora mesmo que o Tom ficou doente pela primeira vez, ter um peito é tipo "remedinho de consolo" e foi ótimo poder consolá-lo assim... Apesar de ter que acordar de madrugada para dar mama, acho ótimo não ter que comprar leite e nem preparar mamadeira e esterilizar depois... Apesar da amamentação me dar menos folga e menos tempo longe do Antônio, quando quero ou preciso, ainda assim, amo e sou muito grata em amamentar. Se assim conseguir continuar até os seus 2 anos, assim eu farei. Vamos ver, né? Porque cada semana de uma mãe, é um novo turbilhão de emoções... :) E dependo também da querência de um serzinho lindo que é meu filho, é óbvio, ele tem que querer também!

Geralmente termino o post com uma frase contendo o "se liberta!". Estava aqui pensando se se encaixava nesse post... E sim, vamos lá: "Mãe, se conecta com você mesmo, respira fundo e entenda  o que você quer, o que será melhor para você e seu bebê e quando tiver essa resposta, se liberta de qualquer cobrança ou "lei" da sociedade e seja forte para viver sua decisão e assim, ficar tranquila." Essa é a minha frase que deixo às mães. Além, é claro, do meu abraço longo e xero a todas as mães que amamentaram, amamentam ou nunca amamentaram, porque ser mãe em qualquer uma dessas circunstâncias merece esse abraço longo! :) Beijooooo!

4 comentários:

  1. Que lindo post. Eu tambem acho o máximo amamentar. Tive minha filha com 40 anos e toda teoria e 'experiencia' do mundo, mas infelizmente, com 2 meses minha filha berrava por que eu não tinha leite. Foi desesperador para mim e para ela. Ela queria muito, não podia estar no meu colo que começava me cheirar feito cachorrinho e chorava. Tive que começar a carregá-la virada para frente e morria de dó. Não queria pegar mamadeira de jeito nenhum (testei todos os bicos que aparecia) e com isso sofremos as duas. Comecei dar leite com uma colher até que ela resolveu chupar uma mamadeira (acho que era de fome rsrsrs) Mas apesar disso tudo ela é forte e saudável. Admiro muito as mulheres que amamentam e sei que se tivesse tido a chance teria feito isso o máximo possivel. Espero que vc consiga ir até onde quiser. Um grande abraço a vc e ao Antonio. Bjus mil.

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    1. Oi Maria, obrigada por compartilhar sua história comigo. Nem sempre conseguimos concluir nossas metas, né? Mas isso não faz delas menores ou menos valiosas. cada um tem sua história de vida e no fim das contas há um sentimento, igual em toda mãe, que nos use, que é o amor. Só ele faz a gente dar conta de tudo, de tudo o que cada uma deve dar. Seja amamentando, seja tendo forças com sua história. Bonito é isso, saber que isso nos une e nos faz igual. Só o amor! <3

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  2. Você esqueceu ao final de incluir no campo destinatário do seu abraço e do seu xero aquelas que não são ainda mas desejam ser mãe! Euzinha aqui e tantas outras! Lindo ler seu relato sobre a amamentação. Beijo

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    1. Êita Gri, esqueci mesmo, desculpa... E vc tem toda razão. #juntassomosfortes #tamojunto Obrigada! :)

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