25.8.16

Primeiras reflexões e sentimentos sobre trabalhar em casa com um bebê :: 4 a 6 meses

Sobre trabalhar depois que se tem filho.
Sobre expectativa x realidade.
Sobre frustração (ou não). Sobre ser ninja (ou não).
Sobre entender que será diferente, para sempre.

Vocês sabem, sou a Tê Pires, que pediu demissão do emprego em 2012 e que viveu intensamente (como tudo na minha vida) as papeleiras (desde 2009) e que em 2013 seguiu o caminho empreendendo só. Um dos motivos da minha escolha de optar por querer algo menor, pequeno  e em casa já era uma preparação para esse nosso plano de ter filhos. Não queria trabalhar muito e nem ficar de 9h às 22h fora de casa e nem trabalhar todos os finais de semana, como estava acontecendo. Queria ter tempo para meu filho. Em todo esse tempo me preparei, nos preparamos (sempre conversando com meu marido) para essa nova realidade que imaginávamos como seria. Por mais que você converse, leia, imagine, você só sabe da realidade vivendo mesmo... Antônio chegou depois de 2 anos e meio eu trabalhando em casa sozinha. Tudo foi um processo, uma preparação. (Mas a verdade é que a gente nunca tá pronta, né?) Me planejei para não precisar trabalhar até 6 meses, se quisesse e quando começasse, sabia que seria aos poucos. Bem resumidamente, foi assim que aconteceu.


Seu Gracinha (TomTom) chegou em agosto de 2015, só tive vontade (e coragem) de voltar a trabalhar em janeiro de 2016. Decidi reabrir a lojinha e voltar com os carimbos personalizados (atendimento por e-mail) e decidi não voltar com as encomendas de encadernação, pois achava que não dava conta. Queria ir aos poucos. Eu fui aos poucos. Antônio estava com 5 meses, mamava e dormia bem e tinha o apoio da minha mãe. Fiquei ate impressionada o quanto estava conseguindo trabalhar. Até para a eduK voltei a trabalhar e preparei várias peças e em fevereiro de 2016 fui dar um dia de curso lá. O trabalho estava fluindo. Antônio ainda não comia (só mamava) e ainda não engatinhava. Fácil de "domar" rs... Trabalhava quando ele dormia, ou mamãe passeava com ele ou meu marido ficava com ele. Era suficiente e me fazia bem. Antes da eduK foi um pouco cansativo, sempre há muito trabalho pré, mas demos conta. Quero até compartilhar um texto/post do meu marido no Instagram (@jorgeae) que me emocionou muito:

"Estava saindo do banho quando interrompi minha ida até o quarto pra ir na sala pegar o celular para bater essa foto. Em frações de segundos essa cena me fez relembrar de muita coisa minha e de Tereza quando conversávamos sobre ter nosso primeiro filho. Sobre nossas escolhas e mudanças para a chegada de Antônio, antes mesmo de engravidar. Tereza trabalhar em casa foi uma dessas escolhas. Talvez a mudança mais radical. E que está mostrando suas facetas agora que ela está voltando a ativa. Não está sendo fácil. E não vai ser por muito tempo. Mas estamos nos virando, e indo. Temos que ir. Não da para ficarmos parados. Ficar de mimimi não nos leva a lugar nenhum. Não significa que não tenha dias de desânimo e stress. Tem sim. Mas passa e o trabalho tem que ser feito. E ela faz. A cada oportunidade, a cada cochilo do Antônio, a cada colo da avó ou do pai uma arte é finalizada, uma venda da lojinha é empacotada ou qualquer outra coisa é feita por essa profissional multi tarefa. Já ouvimos de muitos que pra gente é fácil porque Tereza está em casa pra cuidar do Antônio. Não é, meus queridos. Não é fácil. Não acho também que é mais difícil do que estar em outra situação. Não é. Não achamos a grama do vizinho mais verde. Amamos a nossa grama e cuidamos diariamente dela para que nossas escolhas dêem certo. E se não derem certo, bronca zero. A gente muda o jeito de fazer as coisas. Ou muda as coisas. Ou muda a gente. O que a gente não muda nem a pau é de ser feliz com nossas escolhas. Admiração sem fim por essa mãe+profissional+marida+mulher+... 💚❤️"
E, como eu amamentava, a viagem a São Paulo foi com meu marido também, para ficar cuidando do Antônio enquanto eu dava aula. Pude escolher um sábado para que desse certo essa ida a eduK. Eu também não conseguiria ter viajado sem ele (coisas de mãe!). Foi um teste para saber se daria certo continuar dando cursos, com Antônio pequeno. E a viagem foi bem bacana, deu tudo certo, apesar do cansaço. Ele super se comportou, nos divertimos também e achamos a experiência boa. Foi só um dia, uma tarde de curso, o que ajudou também. Mas para um bebê também é cansativo não ter seu espaço, tapete, ficar em colo e em carrinho... Foi uma viagem muito importante para mim, me senti realizada e me ajudou a entender que nesse momento, por mais realizada que estivesse me sentindo, era mais importante ter a tranquilidade de ser a mãe do Antônio, principalmente pela amamentação.

Na época a gente até estudou outras maneiras que poderiam funcionar... Babá, minha mãe... Mas nenhum plano fazia muito sentido para mim. Quando nos tornamos mães/pais nossas prioridades mudam, nossa visão das coisas ficam diferentes. Coisas grandes tornam-se pequenas. Sentimentos grandiosos mudam de perspectiva. Suas decisões são tomadas de outra forma. E assim nós, enquanto família, entendemos que não voltaria a fazer viagem de trabalho a São Paulo até que Antônio crescesse e principalmente parasse de mamar. A vida é feita de escolhas. E minhas escolhas costumam ser muito conscientes e refletidas. :)

Antônio havia acabado de completar 6 meses de vida e portanto estávamos começando a introdução alimentar. Esse marco mudou tuuuuuudo em minha vida. Antônio não teve uma introdução alimentar natural e tranquila. O tempo que eu tinha para trabalhar simplesmente não existia mais. Eu acordava e quando eu via já era de noite e eu estava na tentativa frustante de dar a quinta refeição do Antônio. A sensação que eu tinha era que eu passava o dia preparando comida e tentando dar a ele. E ponto. Era só o que eu fazia. De repente não conseguia mais trabalhar. Mas, para o post não ficar muito longo, continuo depois essa segunda fase da minha experiência de trabalhar em casa com um bebê. O que posso dizer é que até os 6 meses até é tranquilo, principalmente se você tem quem ajude. Também não quero desanimar ninguém, cada um tem sua experiência e ouvi dizer de gente que conseguiu tranquilo por muito tempo. Deve ser verdade, né? (Mas juro que duvidei! Rs...). Continuo outro dia, para quem tiver interesse, acompanhe. E se quiser contar a sua experiência aí nos comentários, vou adorar esse Téte-a-Téte! Beijão!

3 comentários:

  1. Lindo post. É assim mesmo que acontece. Ainda bem que vc pode optar por trabalhar em casa e só depois que ele crescesse, porque essa fase é a pior. Sentimos tua falta , mas só de ver a carinha do seu Gracinha já nos satisfaz. Faça devagar, com prioridade para ele, que essa fase passa rápido eles andar com as proprias pernas logo e a gente fica com saudades. Bjus no Antonio e um apertão bem grande nas bochechas.

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  2. Obrigada pelo carinho e pela compreensão Maria. Beijo grande! :)

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  3. Também cheguei a conclusão de que é mais tranquilo nos primeiros dias de vida do bebê. Estou parada até hoje, mas pq não tenho a rede de apoio e com o marido estudando pra concurso. Sigo, pq quero cuidar dele (essa é minha escolha)... ainda mais com alergia alimentar não consigo deixar em outros cuidados porque não faz sentido pra mim. Mas os ventos sopram e com tempo vou conseguindo espaço mesmo sem a tal da rede de apoio. Força aí!

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