21.2.17

Relato: desmame do Antônio

Oi! Saudades de escrever por aqui... Vida louca agitada! :) Não me faltam ideias, mas esse tal de tempo... Já sabem... Há 12 dias desmamei o Tom Tom. Não quero perder o "time" de escrever aqui meu depoimento, já que tantas pessoas estão interessadas em saber como foi. Mais que um depoimento para você, é um relato para mim mesma, uma concretização em palavras de uma experiência vivida. Vale celebrar o desafio de várias formas e uma delas, para mim, é escrevendo! :) Vamos lá. Só leia se realmente tiver interesse no assunto, senão, será um saquinho! Rs...

Vale dizer antes de qualquer coisa que cada experiência é única e intransferível. Não tem nada que seja melhor ou pior ou mais indicado, certo ou errado. Por favor, se você ainda acredita nisso, se liberta! Existe o que é bom para você e seu filho no momento que estão vivendo. E só isso, apenas. É claro que a gente busca conhecimento técnico com profissionais (ginecologista, pediatra, enfermeira, doula etc) e conhecimento emocional, seja com profissionais (psicólogos e terapeutas alternativos ou seja com família, amigos e relatos como este. Mas nenhum experiência é melhor que a outra. Entenda isso. Minha opinião, claro.

Eu amamentando TomTom com 5 meses.

Eu já vinha bem esgotada de amamentar há um tempo. Desde o final do ano passado minha paciência estava se esgotando e a vontade parar só aumentando. Eu emagreci muito, muito mesmo. Estava atualmente com 47 Kg. Antes de engravidar estava com 58 Kg e engordei 17 Kg na gravidez, ou seja, emagreci os 17 e mais 11 Kg. Wow! E apesar de saber que estava com saúde e nenhum problema, pois procurei médico, fiz exames e estava me alimentando bem, sabia que essa magreza toda era por conta da amamentação. Sempre tive facilidade de emagrecer e com o TomTom me sugando foi super emagrecimento! Rs... Como disse, apesar de eu saber que estava bem de saúde, estava muito cansada de energia, vitalmente e querendo engordar um pouco, enfim... Queria parar de amamentar. Mas daí você querer parar e conseguir ter a ação de fato é um caminho. Sempre tinha uma coisa... Ficou doente, estamos de férias... Vai ter a adaptação na escola... A verdade é que não existe hora boa. Existe a hora que você se empodera e se enche de coragem para fazer e faz. Fora isso, sempre existirá uma "desculpa" para si mesma, vamos chamar assim. Hehehe... Pensei primeiramente em fazer o desmame noturno e até estudei e me programei com meu marido de começar no carnaval... Mas acabei fazendo antes e total.

Bom, eu esperei a adaptação escolar. E quando eu vi que ele estava bem emocionalmente, eu me preparei emocionalmente e tecnicamente: fui a ginecologista e tirei minhas dúvidas e peguei dicas. Fui ao pediatra do TomTom e pedi leite e dicas. Falei com minha doula pós-parto e pedi dicas. Procurei o amigo de todas as horas, Sr. Google e pedi dicas. Foi um processo meio maluco, pois dentro de mim eu decidi que queria fazer o "desmame pá púm", última mamada e acabou. Era assim que chamava até saber que o termo usado era "desmame abrupto". Mas, nas conversas/dicas eu sempre ouvia para ir aos poucos, o tal do "desmame gentil", para não traumatizar e tal... Claro que comecei a ler sobre o desmame gentil e faz todo um sentindo ser um processo e aos poucos, mas aquilo não fazia sentido para mim. Eu lia e entendia que eu não tinha perfil para isso. Que o meu filho não entenderia esse negócio de aos poucos, às vezes, nesse horário. Eu convivo muito com meu filho, não trabalho fora e ele tinha o hábito de me pedir peito o tempo todo. Total livre demanda desenfreada, rs... Quanto mais eu lia sobre o inverso do desmame gentil (e foi aí que eu descobri que se chamava desmame abrupto) pior mãe eu me sentia. Por ler, ver a barbaridade que era o desmame abrupto, a condenação que existe em torno dele e como era ser uma boa mãe fazer um desmame gentil... E mesmo me sentindo mal, aquilo ainda não reverberava dentro de mim. Minha Doula também ía, com seu jeitinho tentando me dar dicas de desmame gentil e eu não conseguia introjetar isso. Só sei que não sei se é meu sol e ascendente em touro e lua em leão que me fez assim, mas estava o segura o suficiente de mesmo com essas muitas contra-argumentações, tentar o desmame abrupto. Claro que se o Antônio estivesse sofrendo muito, estaria disposta a voltar atrás, mas não na primeira dificuldade. Sou mãe, sinto, sei quando meu filho precisaria que voltasse atrás... Bem, e daí, decidida, fui cuidar de alguns detalhes antes de começar: meus seios e preparação do TomTom.

TomTom: já estava falando com ele há alguns dias que o mama ía acabar... Que mamãe não poderia mais dar mama a ele... Sempre que ele mamava rolava essa conversa e ele só ficava olhando desconfiado. Ele gostava muito do mama, muito mesmo. Mamava o dia todo e de 2 a 4 vezes à noite. Me via e já pedia, era um trem de doido. E, como ele adora festa e parabéns, tive uma ideia que achei ótima, modesta parte, de fazer a festa de despedida do mama. Sim! :) Fiz uma festinha e até parabéns ele cantou para o mama. Ficamos falando como foi bom o mama, que ele merecia parabéns e que o TomTom ía mamar pela última vez e dar tchau. Até presente o mama trouxe para o TomTom. Comprei um copo novo da Galinha Pintadinha e uma garrafinha com canudinho super fofa e ele abriu o presente e amou o copo da popó... Foi bem legal. Então fiz ele mama bastante os dois seios (o que não era nenhum dificuldade) e passei aos cuidados dos meus seios.

Festinha de despedida do mama! :) Tava esperando ele chegar da escolinha.

Meus seios: Assim que o Antônio me mamou pela última vez, peguei a compressa gelada e coloquei sobre os seios e logo depois  meu marido me enfaixou com atadura. Bem forte, acho que até mais do que era preciso) mas não sabia a intensidade. E era noite e fomos começar o processo do ritual do sono (sem mama pela primeira vez, depois de 1 ano e meio, a vida toda de TomTom).

Queria salientar aqui um detalhe importante. Quando comecei a pesquisar no Google especificamente sobre enfaixar o seio vinculado ao desmame começaram a aparecer vários relatos e depoimentos positivos do desmame abrupto. Achei engraçado como uma nomenclatura pesa tanto e traz tantos significados não necessariamente reais. Fazer um desmame abrupto, não significa que será abrupto indo a fundo no significado da palavra, só que você cortará de uma vez o peito, mas um desmame abrupto pode ser gentil. Assim como um desmame gentil não quer dizer que não causará traumas ou sofrimento para a criança, pode ser que uma criança sofra mais parando aos poucos do que de uma vez. Se existem adultos com perfis diferentes, porque uma criança também não tem perfis diferentes também? Mais uma vez volto no lance de não existir melhor ou pior, certo ou errado. Cada vez mais eu acredito mais nisso.

Outra coisa que vale ressaltar é o instinto e segurança da mãe. Faz TODA A DIFERENÇA. Se você está pensando em desmamar e não está segura disso, não faça, provavelmente será uma frustração. Cada vez mais na minha pequena experiência como mãe percebo que se ouvir, ter essa conexão consigo mesma e seu filho, essa intuição, esse instinto, é fundamental. Ter essa consciência te empodera, te faz acreditar que o que você esta´escolher é o melhor para vc e seu filho naquele momento. E essa segurança de que você está fazendo o melhor, faz todo o processo ser melhor. Se escute, escute seu filho. Procure informação, técnica e emocional, se escute de novo. Tenha certeza do que quer fazer (mesmo que no processo mude) mas a certeza do começar é fundamental.

A primeira noite: me preparei muito emocionalmente para essa noite. Tinha para mim que seria a pior. Eu e meu marido nos preparamos, mas sabia e queria viver esse processo junto do meu filho. Muita gente opta por o pai ir nas acordadas noturnas com o desmame, mas eu queria passar por isso junto com ele. Assim, aqui em casa decidimos ir juntos então. Mas antes da acordada teve a dormida, rs... E foi demorada, porque não teve o mama para dormir. Mas não foi sofrida. Um pouco de choro, mas muito colo, carinho, musiquinha, oferecemos água e ele dormiu. Coisas que fizeram diferença: ele chupa chupeta. Sempre usou para dormir apenas e isso, nos acreditamos, ajudou. Coisas que talvez ajudasse e não rolou: ele não aceitou o leite de fórmula, de jeito nenhum. Só bebeu água. Mas dormiu sem muito alarde. Achamos ótimo. Fomos para cama esperar a "acordada do ano" hehehe. E ele acordou e fomos ao quarto dele. Ele pediu mama, como sempre e eu lembrei ele que tinha acabado, que tínhamos feito a festinha, dado tchau... E foi muito choro, claro, ele não aceitava. Foi um choro que nunca tínhamos ouvido, nem com injeção, nem com doença, nem quando caiu. Foi um choro bem sofrido mesmo. Mas não durou muito. Eu me sentia forte, segura e empoderada. Tive pena, claro, mas entendia que era um processo normal para uma criança esse choro pela falta de um mama no meio da noite que sempre teve. E, com ele no colo, fui a mesinha da festinha, fiquei conversando com ele, fazendo carinho, dei a chupeta, ofereci água, deixei ele pegar no meu cabelo (ele ama!) e assim vai... Cantei um monte, falei dos bichos, dos amiguinhos, meu marido também vinha ficar com a gente, mas ele dó queria o meu colo. Às vezes ele chorava, às vezes parava e se acalmava, mas todo o processo durou uma hora e meia até ele dormir novamente bebendo apenas um pouco de água. Não foi tranquilo, mas foi infinitamente melhor do que eu esperava. Estava preparada para algo bem pior. Depois disso não acordou mais, apenas pela manhã. E pediu mama, como sempre, mas fiz o mesmo discurso e desta vez nem chorou. Fomos tomar café da manhã e foi tudo bem. :)

Como Antônio se comportou nos três primeiros dias? Depois dessa noite passada, estava perplexa como tinha sido tranquilo. Avisei na escola e a professora falou que talvez ele ficasse mais irritado com isso, mas nem isso aconteceu. Ele passou bem e às vezes pedia o mama, mas sempre respondia que o mama havia acabado, que ele tinha dado tchau, tinha cantado parabéns e que não tinha mais mama. Ele nunca mais chorou porque eu disse que não tinha mais mama. Simplesmente aceitava. Passamos a dar mais chupeta para ele e ele passou a fazer mais carinho no meu cabelo que habitualmente. Além disso eu passei a receber carinhos sem ser na hora do mama, antes era raro os carinhos fora do momento mama e estava amando muito tudo isso! :) Conforme os dias iam passando ele cada vez pedia menos o mama. E as noites eram cada vez melhores. A segunda noite e outras não teve mais choro. A primeira dormida estava demorando bem mais que o habitual, era o que estava sendo mais difícil, mas não tinha choro, só enrolação.Continuou sem aceitar leite de fórmula e só bebia água e passou a se alimentar em maior quantidade. Simples assim. O Antônio me surpreendeu muito. Eu tinha segurança de como queria fazer o processo do desmame, mas achava que seria mais difícil para ele. Fiquei surpresa em ver ele levar tão bem isso. Acho que em parte minha segurança passou para ele, mas em parte ele realmente entendeu e aceitou a despedida. A festinha e copo novo da popó pode ter ajudado. Eu participar ativamente e do ladinho dele em todo o processo também... A verdade é que ele despediu só do "mama leite" mas continuou tendo todo o resto que o "mama dengo e carinho e acolhimento" dava a ele. Sinto isso.

Selfie da família em uma das primeiras manhãs do desmame. Seios enfaixados ainda.

Como meus seios se comportaram? Essa foi a parte mais difícil de tudo, por incrível que pareça. Pois como Antônio ainda mamava muito, ainda tinha muita produção de leite. Os três primeiros dias foram bem tensos, pois meus seios enchiam muito e tinha sempre que tirar a faixa, ordenhar, colocar a compressa gelada e enfaixar novamente. Eu fazia isso sempre que sentia o peito muito cheio. Cheguei a fazer 3 ou 2 vezes por dia. Teve uma noite que fiz no meio dela, a segunda, se não me engano. Me preocupei muito em sempre ordenhar porque não queria ter mastite de jeito nenhum, então fui bem neurótica nisso. Mesmo que minha produção demorasse a diminuir porque ordenhei mais, preferia que isso acontecesse a deixar empedrar e dar uma mastite. Então eu fiz assim. No quarto dia começou a produzir mesmo. No quinto dia tirei a faixa de vez mas continuei ordenhando (bem menos) e colocando compressa gelada. Com uma semana não sentia mais a produção e meus seios estavam bem vazios, murchinhos... Rs... Com 10 dias estava massageando ele e percebi uma "pedrinha" pequena e bem perto do bico. Massageei bem e começou a sair leite. Era leite empedrado ainda, mesmo com o leite aparentemente vazio. Ordenhei, apesar de ter sido estranho ordenhar um peito vazio, mas a "pedrinha" sumiu depois. Estou contando isso porque mesmo depois do peito murcho ainda existe a possibilidade de empedramento de leite, é bom continuar sempre massageando os seios para sentir. Como disse os seios foram a parte mais difícil do desmame, mas mesmo assim, super possível de controlar se o que é recomendado é feito. Segui as orientações médicas e deu tudo certo! ;)

Depois de 12 dias, como estamos, todos? Ai que benção! Estamos muito felizes. Desafio superado. TomTom comendo super bem e nem pede mais mama... Eu estou com mais energia e feliz por essa conquista. estamos dormindo mais tempo e mais tranquilos, sem interrupções (às vezes ainda uma por noite, mas só para pegar a chupeta de novo e fazer um carinho no cabelo). E espero, começar a ganhar uns quilinhos e também a poder ter umas saídas noturnas com meu marido ou com as amigas. Amamentação é bom quando é bom para os dois. Se já está difícil para uma parte, ela deve ser reconsiderada. Não estou sentindo falta nenhuma dele mamando em mim, muitas mães dizem que a gente sofre mais que eles, sofri nada não, quase que saí comemorando! Rs...Amamentei muito, muito mesmo e por um tempo que considero muito bom: 1 ano e meio. Antônio sempre deu trabalho para comer e hoje está comendo divinamente e percebi que a amamentação, por este lado, prejudicava, pois não conseguia dar o mama só de manhã e à noite. Ele demandava e eu deixava. Além disso agora ganhos carinhos toda hora e não em troca do mama, é em troca do meu amor mesmo, amando demais isso!

É isso gente! Espero que tenham gostado do meu relato e que ajude de alguma forma quem está pensando em desmame, seja gentil, seja abrupto, seja só noturno... E lembrando que cada um tem um perfil, um jeito, uma experiência e que é importante se ouvir e saber qual é a sua melhor opção. A ideia foi apenas compartilhar uma experiência e se ajudar de alguma forma você a fazer sua escolha, fico feliz. Mas de maneira alguma quero incentivar algo ou dizer que assim é melhor. Por favor, leiam vários relatos, procure médicos, amigos que já passaram por isso e façam o que o coração de vocês pedir. Muito amor e saúde a todos! Parar de amamentar para mim foi mais um "se liberta!" da minha listinha! :)

6 comentários:

  1. Tê, amei ler sua experiência do desmame. Aliás, gosto muito de ler tudo que vc escreve sobre ser mãe.
    Me traz uma tranquilidade tão profunda ler seus relatos.
    Porque por incrível que pareça, tudo o que cerca o assunto "maternidade" pode ser muito cruel, sempre o que é melhor e o que é pior. Essa diferença permeia minha vida, nos comentários das pessoas, nos olhares de julgamento. Mas estou me libertando. Afinal, quem sabe do meu amor pela minha pequena sou eu!
    Eu queria a maternidade romântica? Queria, claro que queria! Mas a realidade traz outra história.
    Enfim, obrigada por falar tão claro, tão sincero, com tanto amor.
    Sua experiência não tem nada em comum com a minha, mas sua gentileza em falar das diferenças de cada um me ganha a cada palavra.
    Beijos nessa família linda!
    Fernanda Lacerda

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  2. Parabens, Tê. Admiro muito como vc cuida do Antonio. Parece que estou vendo vcs de perto. Que bom que deu tudo certo. Agora ele vai se alimentar e talvez nem tome leite, o que não vai fazewr falta com certweza. Adorei a selfie. Bjus.

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  3. Lindo! Parabéns e muito sucesso nesta fase. O meu primeiro desmame foi comandado pelo meu filho. Ele sempre foi comilão e foi me largando aos poucos. Já minha filha, ama mamar. Se deixasse ela estaria mamando até hoje.... rsrsrsrs. Ambos mamaram até um ano. No segundo filho fiz desmame abrupto. No primeiro desmame gentil. Cada um do seu jeitinho. ����

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  4. Parabéns, Te! O amor faz isso! Muito estudo, pesquisa e carinho pelo seu bebê. Amei seu relato. Admiro-a ainda mais. Novos projetos pra nosso deleite virão!!! Beijos e mil apertos nesse garoto fofo. Minha netinha nasceu há 2 dias. Beijos, querida!!! Deus te abençoe!!!!

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  5. Que legal saber que deu tudo certo, e para um bem muuuito maior!! Parabéns à vc e à sua família, pois sem o apoio dela tudo fica mais dificil.

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  6. Parabéns pela sua iniciativa e dedicacao em prol de um bem muuuuito maior! Imagino q todo o processo que se antecedeu deva ter sido um pouco tenso, por não imaginar qual seria a reação dele...Mas é gratificante ver que no fim todo o esforço valeu a pena! Parabéns à vc mamãe e à toda familia, sem o apoio dela tudo ficaria mais dificil!

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