5.4.18

2017 --> o ano que eu estive grávida duas vezes

2017 foi o ano da gravidez aqui em casa. Janeiro chegou com a notícia de um baby a caminho. Foi uma surpresa, pois apesar da gente sempre querer um segundo (e havíamos planejado liberar em janeiro de 2017, para não ter muita diferença de idade entre os irmãos) mas nós meio que decidimos adiar um pouco devido ao cansaço e alguma dificuldades que estávamos tendo. Porém, todavia, entretanto, ele veio, de "sopetão"! De início ficamos meio sem chão, mas logo nos acostumamos com a ideia, afinal já queríamos mesmo, e até brincamos com o universo: "__Esquecemos de atualizar aí o que queríamos, né?!?" Rs... :)

O ano que estava começando com algumas ideias e projetos tiveram que ser repensados e replanejados. Tudo bem! Uma das primeiras atitudes que tive foi a desmamar o Antônio. Já queria e estar grávida me deu a força que faltava... Se você ainda não leu o meu relato do desmame, veja aqui. Rotina mudada, caminhadas, ácido fólico, consultas, exames... Primeiro trimestre sem enjoos, como a gravidez de TomTom. Nos empolgamos em ser pai e mãe de dois e contamos para toda família e amigos próximos, estávamos felizes demais com essa novidade surpresa, planejada só que não, rs...

Estava tudo indo muito bem até que um dia, faltando apenas 3 dias para completar as 12 semanas do primeiro trimestre, eu tive um pouco de sangramento, amarronzado, teoricamente nada que eu precisasse me preocupar, mas eu me preocupei, lógico. Falei com minha médica e ela me mandou ir a emergência para confirmar se estava tudo bem com o bebê. Fui e depois das burocracias e esperas, fiz o exame e descobri que não estava tudo bem. Não havia batimentos cardíacos e o tamanho do bebê estava de acordo com 8 semanas de gestação, e não 12.

Não sei colocar em palavras o que senti. Mas garanto que foi o pior sentimento que já senti. :(

Como já tínhamos o Antônio e ele precisava almoçar e ir a escola, meu marido ficou cuidando dele e eu fui sozinha ao hospital. Recebi a notícia sozinha, durante o exame de uma médica de plantão do hospital. A médica que fazia o exame acho que não teve coragem de me falar e chamou um médico que deve ter confirmado o que ela viu e me disse, como deve ser feito, que o feto estava morto. Afinal, tem jeito bom de dar uma notícias dessas? Claro que eu preferiria estar com a minha médica, na companhia do meu marido... Mas receber essa notícia assim não ía mudar o que eu senti. A notícia não seria diferente. Infelizmente. Eu chorei igual uma criança, na frente dos dois, não conseguia parar. Eles perguntaram se eu estava com alguém, se podiam fazer algo e me deram um tempo na sala. Tentei me acalmar e sai. Eu já estava falando com uma amiga ao telefone e ela já estava no hospital me procurando e assim que me recuperei e sai da sala do exame, liguei para meu marido que foi ao hospital. O abraço dessa minha amiga, eu nunca vou esquecer: obrigada Tammy! Ficamos lá chorando juntas e Jorge chegou logo depois. Não vou ficar entrando em detalhes dessa fase de muito choro. Muito. Fomos a nossa médica, ela nos explicou o que era possível e o que eu poderia fazer no momento. Decidi pelo procedimento "Amiu" e no outro dia me internei para isso. Foi simples, rápido e indolor. Preferi já resolver isso do que ficar esperando em casa "ele" sair... Não foram dias fáceis, emocionalmente. Foi bem difícil engolir essa perda. Acho que não tem situação mais ou menos fácil, era meu filho. Isso não muda. Se é com mais ou menos semanas, se você já tem ou não filho... Era um filho meu, um filho nosso e ele se foi. Depois de um processo de luto, conversamos com nosso Doula e pedimos uma espécie de ritual disso, uma espécie de adeus. Não para sempre, vamos sempre lembrar desse filho, mas para podermos seguir adiante... E ela foi bem sensível e querida. Preparou um ritual bem fofo pra gente respirar, escrever, nos despedir e até agradecer por essa experiência que tivemos que viver. Sim, agradecer, porque estamos nessa vida para aprender um monte de coisas e passar por isso ensina muito. Essa é a nossa história, somos gratos a ela. Esse filho e nós como pais precisávamos passar por isso. Escrevemos cartinhas para "ele", e nos despedimos com a certeza que ele fez e faz parte da nossa família. Claro que todo esse processo não é rápido nem fácil, exige tempo, maturidade, amor...

A vida continua e rearranjamos novamente nossos planos. Profissionalmente eu comecei o projeto do Canal do YouTube e Vídeo Aulas feitas por mim mesma. Me organizei para participar da Mega Artesanal 2017 pela primeira vez... E não foi que em junho descobrimos que estávamos grávidos de novo! Desta vez nem entendemos como... Tinha um filho que queria vir muito para a nossa família! Nem nos assustamos desta vez, apenas agradecemos ao universo e recebemos esse novo ser com amor. Vida que segue, fomos vivendo, eu, particularmente com muito medo que o mesmo acontecesse. O Diário de Gravidez que da outra vez comecei no primeiro dia, desta vez nem tive coragem de começar... Não contamos a quase ninguém e o tempo foi passando... Tive um susto enorme na mesma bendita semana, a 12a. com um sangramento igual do da outra vez. Corri ao hospital mas desta vez estava tudo bem. Depois disso tive mais dois sangramentos e por isso tive uma gravidez de repouso no início. Não sabíamos porque, mas o bebê continuava bem. Um exame mais para frente desconfiaram que podia ser a minha placenta que estava baia e perto do colo do útero, mas depois, ainda bem, ela subiu! :) Assim, pena num ano que começou loucamente e com essa perda em março, depois replanejado e depois outra gravidez e sangramentos novamente. Foi uma montanha russa de emoção, foi muito tenso, preocupante, difícil... Tive muita dificuldade de trabalhar, não consegui ir adiante com meus projetos profissionais. Por conta de tudo isso também adiantamos uma vontade de se mudar para Recife e fizemos isso no mesmo ano em outubro. Ufa... Graças a Deus as coisas se acalmaram, os sangramentos pararam, Caetano cresceu lindo e forte na minha barriga (aliás, e como cresceu!) e nasceu em 26 de fevereiro, com 40+1 semanas, com 3,770Kg e 51cm. Meu pernambucano gordinho, o Seu Delícia.

Eu & Caetano <3
Essa semana ele completou um mês de vida, mais gordinho ainda. E talvez por isso que só agora eu tive coragem de vir aqui contar isso. Talvez agora com Caetano em meus braços, lindo, forte, saudável, eu tive forças de compartilhar com vocês essa parte da minha história. Mesmo os processos sendo vividos e ritualizados, será sempre um buraco, uma perda, um filho que não tive. Agora, final de março de 2018 fez um ano que o perdemos. Ao mesmo tempo que rápido, também parece que faz tempo. Acho que estava devendo essas palavras para mim, para ele... Um ano depois elas conseguiram sair. Na época eu fiz um diário de gravidez assim que soube, e lá eu escrevi um bocado. Está guardado comigo para sempre, seus exames e diário, o que existiu concretamente para mim, para nós. A dora era tanta que eu demorei para fazer o diário de gravidez do Caetano. No início não queria fazer, com medo de que acontecesse o mesmo e na época não estava preparada para mais uma perda tão rápida. Depois, teve a mudança e acabou que só fui fazer o diário de Caetano perto do Natal de 2017, havia apenas anotado algumas datas. Mas deu tudo certo, ele ficou lindo também, completo e com palavras mais alegres da mamãe aqui com um barrigão já...

Os três diários das minhas três gestações   

E todas essas costurinhas também massageiam a alma e o coração.
Quando a gente faz o que ama, também trata as emoções.
Compartilhar aqui esse pedaço da minha história faz bem para mim, talvez faça bem para você. Quando compartilhamos nossos sentimentos e o enviamos ao mundo, é uma energia que voa, reflete, reage, bate e volta, se transforma. Espero que essa energia aqui chegue aí em seu coração da melhor forma que é para chegar em você. Se você leu até aqui, obrigada! Parte do que vivi está aí em tu também e assim:



em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós

Paulo Leminski [contranarciso]

Gratidão! 

Eu e Caetano :: À esquerda com 2 dias de vida, quando chegamos em nossa casa e à direita com 40 dias de vida! :)

Um comentário:

  1. Uau! Isso é o que chamo de montanha-russa! Obrigada por compartilhar essa história linda. Beijos

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